Tensão no Golfo: Irã ameaça fechar Estreito de Ormuz e eleva crise com EUA

A escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (17), após autoridades iranianas ameaçarem voltar a fechar o estratégico Estreito de Ormuz caso o bloqueio naval americano na região seja mantido.

A declaração foi divulgada pela agência iraniana Fars, ligada à Guarda Revolucionária, em resposta à decisão do presidente Donald Trump de manter a presença militar no estreito, mesmo após o anúncio de reabertura da rota marítima por Teerã.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que o bloqueio continuará até que as negociações com o Irã estejam “100% concluídas”, embora tenha declarado que o estreito está “aberto para negócios e livre tráfego”. A posição foi classificada por veículos iranianos como “chantagem”.

Rota estratégica sob risco

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, responsável por cerca de 20% do consumo global de petróleo e gás. A instabilidade recente já provocou impactos no mercado internacional, com alta nos preços da commodity.

Apesar das tensões, dados de monitoramento marítimo indicam que a circulação de navios começou a ser retomada. Três petroleiros iranianos deixaram o Golfo Pérsico transportando cerca de 5 milhões de barris de petróleo — os primeiros carregamentos desde o início do bloqueio naval americano.

Conflito e riscos no mar

Desde o agravamento do conflito no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o Irã chegou a fechar completamente o estreito, além de ameaçar e atacar embarcações na região. Também foram instaladas minas navais, elevando o risco para a navegação.

Os próprios Estados Unidos afirmaram estar trabalhando junto ao Irã para remover esses artefatos, mas reconhecem que a localização de todas as minas ainda não é conhecida. A Marinha americana recomendou que navios evitem áreas consideradas perigosas.

Pressão internacional e tentativa de solução

Diante da crise, líderes internacionais tentam mediar uma solução. O presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, reuniram representantes de diversos países para discutir alternativas para a reabertura definitiva da rota — sem a participação dos Estados Unidos.

As negociações entre Irã e EUA, mediadas pelo Paquistão, seguem em andamento, mas o cenário permanece instável. A ameaça de um novo fechamento do Estreito de Ormuz aumenta a preocupação global, tanto pela segurança na região quanto pelos impactos diretos na economia mundial.